sábado, 14 de Novembro de 2009

Mecânicas!

Acredito que o título possa suscitar visões deslumbrantes aos mais imaginativos: um mulherão de cabelos compridos apanhados em rabo de cavalo, pernas longas, olhos claros e tez escura, curvas de perder e perder e perder. Um fato macaco aberto até ao rego dos seios grandes e uma ferramenta na mão. A cara estará suja de óleo e, ao ouvir-se a voz rouca mas sexy, um sábio conhecimento sobre carros e motas e todas aquelas coisas sobre as quais o verdadeiro macho adora falar sairá como melodia. Aahh, a mulher perfeita! E "boua".
Mas a verdade é que existem mecânicas diferentes. E é, com imenso prazer, que vos apresento essa gama inovadora dessas coisas andantes.


A mecânica é uma mulher que gosta de dar nas vistas. Não sei é se consegue, porque duvido que tenha observadores capazes de levantar o pau. Normalmente, apresenta-se como uma macha, isto é, aparenta ser um homem com maminhas. Ou mamões! Corta o cabelo de forma estranha, mais comprido de um lado do que do outro e espeta com gel do mais manhoso a parte curta. Metade punk (yyeeaahhhh), metade puto de dez anos que ainda não sabe o que é fixe. Ah, o gel tem já aquelas coisas brancas e nojentas que, juntamente com a caspa, transformam a cabeça num boneco de neve alternativo. As orelhas costumam estar cheias de brincos e piercings daqueles com picos e fluorescentes, muito vistosos, claro. As argolas pequenas cheias de pus perdem-se no meio de tantas outras já ferrugentas. As que optam por poucos furos, apresentam bugigangas com formas de bichos - moscas, aranhas, cobras. Ao pescoço o colar: de ouro ou prata com a mítica cruz ou, então, um tipo atacador com o símbolo da Nike ou com uma caveira. Também muito típico desta estirpe é o facto de não fazer o buço com muita frequência, o que torna a parte superior do lábio de cima uma espécie de quadro com pontos negros. Mas, mais de perto, são mesmo pêlos pretos pontiagudos e pequeninos. [Atenção, meninos, que picam! E para os que gostam de beijar a lamber, atenção aos piquinhos na língua que se tornam desconfortáveis!] Igualmente maravilhoso, não cuidam muito da higiene dentária, pelo que apresentam réstias dos diversos jantares da semana. E sorriem todas contentes, numa espécie de "eu poupo comida e orgulho-me disso!".
No que diz respeito à indumentária, a coisa varia de mecânica para mecânica. Há as que são mais discretas e usam coisas normais e adequadas ao tamanho do corpo, mas depois há as que exageram e tentam parecer porreiras. Por exemplo: usam calças justas e rasgadas e meio tingidas com um cu que talvez só se safe na banheira e salientam bem as gordurinhas com camisolas justas, de licra. Ou então usam as Naiki de fato de treino ou as Adidas com quatro riscas. O cinto tem espinhos, como é evidente, e dos bolsos caem correntes que roçam o joelho. Se ousarem usar luvas, só calçam as que não têm dedos e põem os anéis por cima. Nos pés, ou sapatilhas enormes (normalmente de marca) ou botas da tropa, Arkansas ou Doctor Martens (só de me lembrar de que tenho umas tão preciosas... aahh). Carteira? Qual quê! Uma saquita da Eastpack à cintura ou uma Lacoste ao peito, em jeito de "guna".
Mecânica que se preze fala alto! Mal e alto! Com sotaque bacano e alto! Faz questão de ser a líder do seu grupinho de gajas - uma mecânica para cada cinco, vá! - e protesta contra tudo e todos, só ela tem razão. Senta-se de perna aberta nas escadas, fuma com ar de má e a tentar fazer bolinhas que se assemelham a gestos bucais mais preversos; cospe para o chão depois de puxar a merda toda da garganta e vangloria-se da sua estupidez. Quando se pinta, ou atira coisas pretas para os olhos, fala mais alto porque está má! E é nesses dias que vai para a noite, tentar engatar homens mais homens do que ela (por vezes, tarefa difícil!), falando de futebol mal e porcamente e atirando ao ar umas marcas de carro porreiras e na moda, enquanto emborca cerveja compulsivamente - a espuma chega mesmo a pingar pelos queixos.
Mas, o mais importante de tudo, não se droga. Isso não, é para estúpidos! Fala alto, mas nada de charros.


Ou seja, e como dizem dois sábios da televisão nacional (Quim Roscas e Zeca Estacionâncio): "cuidado com aquelas moças que têm cara de mecânico!". Vá-se lá perceber porquê...

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Eu quero cagar!

A mulher é um ser celestial, puro, lavadinho! Usa cuequinha cheirosa com pensinho diário (para não sujar) e depila as virilhas com ou sem "brasileiras". Arranja as unhas, adorna-se com pendentes e lencinhos e coloca a carteira (ou a mala) na dobra do cotovelo. Fala de forma vaidosa e anda como que numa linha invisível, com um pé sempre à frente do outro: nada de pés lado a lado. É o símbolo da branqueza para os homens, muito delicada e fofinha! Não faz asneiras; limpa a casa, respeita o marido (ou namorado) e o pai e o irmão e não ousa sequer tomar atitudes semelhantes às do sexo oposto!
Oohh, que visão tão linda!
Ou seja, uma mulher não caga! E é assim que muitos tristes pensam!* Não faz cocó porque isso é porco e cheira mal. É, mais do que humano, coisa de homem! Nem um peidinho sequer dá, é feio! Coitadas de nós, andamos cheias de trampa até ao pescoço, com dores intestinais e no esfíncter de tanto apertar o dito cagalhão porque, ora veja-se lá, não cagamos! (Será que é por isso que muitas têm um hálito tipo sanita de estação de comboios?) E se se solta uma bufa, "ai jazu, que nojice!", "tem princípios, porca!" - diz um  enquanto coça o legume esquerdo e escarra para o chão - "porca, pá!". 
Sou sincera: também me custa criar uma imagem do Papa ou do Primeiro-Ministro a arrearem o calhau, mas já sou grandinha para saber que o fazem que nem azeiteiros. Aliás, como todos nós! Sim, mulheres inclusivé. Até posso perceber que é um acto um bocado porco, já que envolve elementos orgânicos não muito lavadinhos e por vezes deita odores menos agradáveis... Mas daí a não querer aceitar que toda a gente o pratica vai um longo caminho!
Senhores, caiam na real! As mulheres, meninas, gajas, senhoras fazem-no: com cheirinho, sem cheirinho, com barulho ou silenciosamente, com cara vermelha ou com pura simplicidade. Também põem papel para não molharem o rabiosque com a queda e, no final de um "aaaaaaaahhhhhhhhhhhhh" de alívio, limpam-no com bonequinhos, cãezinhos, notas, fantasmas, toalhitas... E puff, perfumam a casinha - algo em que normalmente só nós nos lembramos de carregar.
OK? Para os mais teimosos: NÓS FAZEMOS COCÓ!

*[esta ideia foi atestada e seriamente discutida no café habitual, com os gajos do costume.
F.G., este é para ti!]

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Pipi-Canesten

"Não! Não! Eu não me quero esconder! Pára, eu não tenho vergonha!".
Mas que merdice é esta?! Alguém já viu anúncio mais ridículo do que este?! Eu fico maluca! Quanto pagaram àquela anormal para perder uns escassos segundos a publicitar a cura para algo que  até as mulheres de barba rija detestam saber que têm? "Ter tido alergias na rata é algo espectacular e só por isso vou gritá-lo aos quatro cantos esféricos do mundo!". A-MI-GAS, que palhaçada é esta? Todas nós sabemos (espero!) que a raça feminina tem bastante propensão a apanhar infecções vaginais, tais como as infecções urinárias, a candidíase vaginal, os chatos (para as porcalhotas), etc... Porquê não sei, até porque não sou médica; mas que é do maior desconforto imaginário é. Dói a mijar, dói a barriga, ficamos irritadas, passamos a vida a correr para a porcelana e nem sempre sai líquido, não paramos de beber água e às vezes há comichão e irritação e vermelhidão e muitas coisas acabadas em "ão" de aspecto negativo!  Para não falar do muco e do odor... Hummm! Depois são as pomadas, os óvulos intra-bibi, o sabonete especial, o adeus ao fio dental e à cuequinha ousadona, a distância a ter da água quente aquando do "checo-checo" e, pior de tudo, a pausa no acto sexual. Vá, ok, medicamentos ainda que coiso, agora parar de brincar ao tira e põe-tira e põe-tira e põe? Não há direito!!
Ora bolas, já me estava a esquecer que afinal estas contradições todas são um máximo!! Pff, aposto é que a vaca que geme aquilo das duas uma: ou recebeu que nem uma mula para o fazer ou então não sabe o que diz! E os gajos devem gostar: "Eh pá, cheira-me que aquela miúda, por estar a coçar-se toda na coisa, está como a do reclame! Canesten, oh boa, Canesten!"...

sábado, 24 de Outubro de 2009

Uma questão higiénica (II)

Eu gosto é de pêlos por cima do lábio superior! E nas axilas. E entre as sobrancelhas, unificando-as. Aquando de um sorriso, comida entre os dentes é o que se quer. E unhas semi-pintadas com verniz vermelho e semi-camufladas com porcaria, como se o passatempo preferido daquelas mãos fosse arrancar batatas em vez de ir à manicura. Cabelos compridos com pasta e com a madeixazinha a meio em vez de ser na raiz. Orelhas cheias de furos e pus e crostas e piercings com picos: que beleza! Uma visão deveras apetitosa, não é, coisas andantes do sexo masculino?
É verdade, há mulheres que não se tocam! Por muitos espelhos que lhes mostrem que estão feias que nem bodes ou por muito que na rua as olhem com um ar "tens bigode, estúpida!", não há pinça nem acetona que lhes atinja. Por favor, acredito que gostem das suas origens homo sapiens, mas demonstrem-no somente como um gosto, não como uma imitação peluda, porca e deslavada do que foramos anteriormente. É que chegam a comportar-se como madames, barradas em bases e pós e purpurinas e com saias curtas e elegantes, com meiinhas originais e sapatinho alto com laçarote, camisinha e gravata... e buço lateral, aquele fofinho que só escurece mesmo dos lados da boquinha pintada com gloss. Que bonito! Vistas de perto, as sobrancelhas alimentam pelinhos pequeninos que vão brotando, escurinhos, lentamente. A base revela os pontos negros que não se escondem por dá cá aquela palha. Mas ao menos cheiram bem. E mostram as pernocas! Ai, "modeletes" graciosas! Melhor ainda é quando, pindericamente, se dirigem ao espaço mais ocupado pelos meninos e se estendem para pedir uma bebida com o rabo completamente espichado para trás. O bracito delicado cheio de pulseiras levanta-se e eis que, paisagem graciosa, pêlos grossos,curtos e escuros, embebidos em desodorizante, saltam à vista de machos babados que, nesse preciso momento, retiram das suas mentes todas as preversidades que já tinham imaginado! "Ora bolas, mulher!".
Se não houvesse métodos e técnicas e todo o tipo de merdinhas para pôr uma mulher minimamente apresentável, ainda era gaja para desculpar e aceitar tamanho desmazelo. É que pior que isto, só mesmo cheirar mal!!

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Uma questão higiénica (I)

Lá está uma gaja no seu café, na mesa do costume, acompanhada pela malta de sempre e a tragar, com uma vontade animalesca, uma bela de uma mini. Os tremoços nem sempre existem, por isso há que petiscar ora moelas, ora aquelas coisas que deitam ranho (por favor, a uns metros da minha limpinha pessoa!), ora umas batatitas fritas de um sabor qualquer. Conversa para aqui, asneiredo para acolá, o tomatito é posto no sítio, a convivência está ao rubro e "é mais uma, por favor!". Fresca! Ora que, cerveja puxando cerveja, o óbvio da coisa é ter-se vontade de mijar. Desculpem-me, de urinar. Então, uma gaja levanta-se, tira a cuequinha rendada do reguito - ou ajeita-a no caso de ser um fio dental malandro - e, sabendo que há olhares masculinos a ritmarem com o balançar dos nossos jeans push-up, dirigimo-nos para a casa de banho.
Ainda a meio do caminho vem um cheiro acre e estranho às apuradas narinas, mas acusa-se sempre o empregado que "ah e tal, trabalho que me f***" ou a rapariga desdentada que passou de soslaio ainda agora. Avistada a portinha da salvação, corre-se sem olhar para mais nada e sem cheirar o que quer que seja, fecha-se a porta, verifica-se que está bem trancada, puxa-se a merda dos jeans justinhos até aos tornozelos logo acompanhados pela rendinha e, sem nunca ousar sequer aproximar muito o tesouro do rabiosque ao tampo, abre-se a torneira e "ai, como é bom mijar!". E pensa-se sempre que não há nada melhor do que aquilo, mas depois o sexo brutal feito no elevador há umas horitas vem à cabeça e esse pensamento é destronado!
O problema é que, ainda antes da bexiga vazia e do sacudir das ancas porque para variar não há papel e a carteira ficou na mesa repleta de lencinhos e dodots, se apercebe de que o cheiro, afinal, vejam só!, vinha da casa de banho. E começa-se a reparar no porquê: pegadazinhas de saltos agulha ensopadas em chichi, réstias de coisas castanhas pela sanita, papelinhos imensos, imundos e inacreditáveis espalhados pelo chão e um cheiro a perfume que destoa com a suposta atitude de quem ali mesmo privou anteriormente. Mais nojento é reparar que o balde do lixo transborda de papel borrado e ensanguentado pelo tampão destapado que deixaram ali, para toda a gente ver que está mais uma vaca com o período! Quando não é o tampão, é o pensinho diário corrimentado ou a quase fralda cheia de sangue caídos amorosamente aos pés do balde como que num quadro assimétrico de cores e texturas. Por favor! Alminhas! Se o letreiro atrás da porta pede que não se deite papel ou qualquer outro objecto na sanita, qual é o problema de o porem com-ple-ta-men-te dentro do balde?! Preguiça de o abrir? Dificuldade de manuseamento? Mais vale levarem-no no bolso a transformarem um sitio público de alívio pessoal num antro estrumoso. Vai-se aos arames e com razão! Porcas, pá! A sério...
É que a tarde fica logo estragada, pois uma gaja é acusada de síndrome pré-menstrual pelo humorzinho repentino, gozam pela demora, brincam com o cheiro que a roupinha agarrou e ainda fazem crer que se tem um bocado de papel colado à sapatilha. Depois, já nem a cervejita ajuda...
Obrigadinha, porcas deslavadas!

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

O "não" infiltrado!

Muitos homens não percebem bem a artimanha de uma mulher quando sabe que dizer a palavra na cara é capaz de estragar umas semanitas da relação! Resumindo: tomatume, um "não" não precisa de ser dito para ser transmitido! Não quero de todo pôr a descoberto os jogos corporais ou mesmo as míticas frases que o meu género utiliza quando não está com o mood para a coisa, mas é sempre louvável ter companheiros de luta [entenda-se luta como o mano a mano sexual] que tenham em mente tácticas que podem ser (re)utilizadas aqui pela gente a fim de não ficarem mal.
No fundo, o "ai, dói-me a cabeça!" foi espectacularmente substituido pelo "fogo, estou mesmo cansada!", dando a impressão de que não é só a cabeça que dói e pondo logo, logo de parte a perspicácia masculina do "sabias que um orgasmo tira as dores de cabeça?". Por isso, nessa altura o que queremos mesmo são meros miminhos ou encostar a cabeça e dormir. Ao vosso lado! Para além disso, se a nossa resposta a um beijo super-hiper-mega lambido, daqueles que levam a língua a locais longínquos da nossa boca, for um beijito na testa ou mesmo um sorriso fofo, tal deve ser interpretado como um meigo "acalma lá a ferramenta que isto hoje não dá!". Quem diz um beijo super-hiper-mega lambido, diz uma mão escorregadia ou um encosta-encosta mais ousado. E não vale a pena despirem-se: é da maneira que nos levantamos, vestimos o pijama, damo-vos o vosso e nos recostamos mais e mais na almofada. Também será escusado procurar algo picante na televisão e na net ou então chamarem a atenção para uma posição sexual nova que gostariam de experimentar, porque aí sairá de nós um bufo daqueles mesmo maus que quase que vos cospem se para nós estiverem voltados. Ah, e nem tentem dizer algo ousado como "vou deixar-te louca!", "ggrraaauuuu, vamos lá ao céu?" ou mesmo "é hoje que te parto!". Nestes casos, ou vamos para a sala, ou saímos de casa [para os casais que não partilham tecto] ou gritamos coisas desagradáveis que decerto farão com que o zé não se levante, orgulhosamente, por uns valentes tempos!
Pior que tudo isto, e completamente frustrante, é, depois de utilizarem as técnicas de uma só vez,  repetirem-nas. Desculpem-me lá a malvadez, mas serão estúpidos?! Ou querem porque querem e pronto sexuar? Por favor, há limites! E ouvir um "não" de uma mulher farta de merdices por causa de uma queca é do mais baixo a que podem descer! É quase um sinal de parvoíce mórbida levada aos extremos! E acreditem que não vale a pena...

Portanto, meus caros, deixem-se de se armar em machos e tentem ser homenzinhos também na cama, aprendendo que uma mulher nem sempre tem a vossa predisposição para a coisa e que é demasiado fofinha para o admitir, camuflando-o. Até porque quando queremos nem metade das técnicas têm tempo de utilizar!